14 de fevereiro de 2010

Os sites irão acabar?

Os sites, como conhecemos hoje, sim. Não se trata de uma profecia, nem algo invisível aos olhos de todos, mas de uma tendência que já está acontecendo. Tenho motivos, baseados em evidências, para acreditar que cada vez mais as empresas irão descentralizar na Web suas operações e estratégias além dos limites de seus sites e que estes perderão cada vez mais espaço.

Entendam que os sites não vão deixar de existir, eles vão continuar colaborando e ajudando as empresas em suas estratégias, mas vão deixar de ser o ponto central de toda e qualquer estratégia online, se é que um dia foram.

Redes Sociais

As redes sociais, através dos sites de redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter, entre outros), ferramentas importantes para manter a proximidade com o consumidor, possuem hoje uma significativa e importante fatia na operação online de uma empresa. Percebam que, cada vez mais, as empresas se voltam a ações que têm como objetivo ir aonde está o seu consumidor e não o contrário.

Vamos pensar no contexto SEO e SMM. O SEO visa trazer o usuário a um site, oferecer-lhe acima de tudo uma boa experiência a partir do mecanismo de busca. O SMM, o trabalho dentro dos sites de redes sociais, visa levar a empresa para o âmbito do habitat natural do cliente.

ações de tráfego para websites

Imagem 01: campanhas voltadas à trafego e metas dentro do site.


foco de presença em redes sociais

Imagem 02: campanhas voltadas à performance de uma marca/negócio dentro dos sites de redes sociais.

Nesse caso, deve ocorrer uma mudança de paradigma, de comportamento e de estratégia, onde o negócio seja levado para dentro das redes e o site participe como uma estratégia de apoio. Pode parecer simples, mas não é. Muitas empresas ainda têm dificuldade em conseguir e entender os benefícios disso.

A quebra de paradigma

Toda a mudança então fica clara. No caso do SEO, por exemplo, há uma tendência muito forte à adaptação desse conceito que visa a encontrabilidade de um site ou documento Web em mecanismos de busca para um novo modelo que visará a encontrabilidade em qualquer tipo de interface. Não que isso nunca tenha existido, mas acredito que nunca tenha tido a importância merecida. Pensem que hoje é importante para algumas empresas estarem posicionadas nos mecanismos, não só com seus sites, mas em resultados relacionados a certos foruns importantes para seus negócios, onde as pessoas reconhecem o poder e a influência daquele ambiente. Ou seja, é muito importante para uma determinada marca aparecer nos resultados de busca não só através de seu próprio site, mas também através de um fórum conhecido, do Yahoo! Respostas, etc.

Pensem que a busca em mecanismos de busca é só uma das formas possíveis de encontrabilidade. Mesmo sem os mecanismos de busca, as pessoas procuram informações o tempo todo.

Como se preparar para as novas tendências

O primeiro ponto é identificar como as mudanças estão ocorrendo. É possível perceber que hoje há uma mudança em relação a duas frentes muito promissoras: uma delas no que diz respeito aos dispositivos móveis, que atribuem a esses gadgets cada vez mais funcionalidades e mobilidade. Em outra frente, mas não isoladamente, é possível identificar novas ferramentas Web que permitem cada vez mais a interação e integração entre usuários e outras redes também.

Como eu disse, os sites não deixarão de existir no sentido real da palavra, serão ótimas estratégias de apoio. Sendo assim, pense em uma operação onde site, sites de redes sociais e dispositivos móveis se integrem de modo a formar um único ambiente de presença online.

ambiente de presença online e disciplinas de eng web
Imagem 03: Ambiente de presença online.

Neste ambiente de presença online, determine as boas práticas necessárias das disciplinas conhecidas de engenharia Web: usabilidade, acessibilidade, mobilidade, SEO, conteúdo, entre outros, que poderão tornar a experiência ainda mais agradável ao usuário, seja qual for o modo de comunicação com sua empresa, se através de seu site ou de sua presença em outras redes.

Não se esqueça também que no sentido dessas ações devemos aproveitar também a inteligência coletiva, que visa utilizar o poder da comunidade a favor de um determinado negócio. Em breve falarei mais sobre inteligência coletiva e sobre busca vertical, que possui como foco a encontrabilidade em alguns nichos de conteúdo.

Quer debater sobre? É só me enviar as perguntas através de comentários ou no formspring.me/erickformaggio.

Update 24/02/2010

Minha colega de trabalho Amanda Coiro(@_abanda) encontrou os slides a seguir, que explanam um pouco das estratégias da Coca-Cola na Internet. Percebam a descentralização.

Neste sentido, leiam também o artigo de Steve Rubel (Indicado pela minha colega Mariana @marianarrpp), "AP is Visionary: They See a Siteless Web", sobre a Associated Press e sua estratégia "descentralizadora" na Internet.

6 comentários:

alan david disse...

Concordo! (com 90%)

A um tempo já estamos vendo um "boom" do assunto "social media", e também o grande valor que o google tem dado as redes socias, colocando dentro do conceito de universal search, para que o existe nas redes socias de alguma forma agregue aos resultados de busca.

Mas claro é algo que vai acontecer de forma muito gradual, ou talvez, ocorra o que já acontece hoje, o usuário acessa ambos. Um usuário entre numa comunidade do orkut, numa fãn page do facebook, segue uma empresa no twitter, mas também navegue como sempre navegou, e visita o site das empresas, de forma espontânea ou com campanhas de midia. (essa sim acreito que vão mudar muito!)

Pode ser que eu esteja pensando muito dentro da caixinha, mas nessa parte do texto não consigo imaginar que ocorra "Como eu disse, os sites não deixarão de existir no sentido real da palavra, serão ótimas estratégias de apoio." Continuo achando que as redes socias são as midias de apoio para levar ao site, e esse gerar a experiência ao usuário.

Erick Formaggio disse...

Oi Alan, tudo bem?

É um prazer te ver por aqui! Certamente seu comentário só enriquece o post.

Sobre a parte "Como eu disse, os sites não deixarão de existir no sentido real da palavra, serão ótimas estratégias de apoio." - Eu concordo com o que tu disse sobre hoje as redes sociais serem mídias de apoio para levar ao site. No entanto, penso que se trata (atualmente) de uma exploração limitada dessas mídias. Talvez num futuro próximo isso mude, infelizmente temos que esperar pra ver o que acontece!

Cara, mais uma vez valeu o comentário! Volta mais!
Abraços!

VonNaturAustreVe disse...

Olá, vou expor minha opinião, que postei no twitter sobre esse este assunto.

Os sites não serão mortos pelas redes sociais, nem tão pouco elas também, o que acontecerá será a fusão das duas, elas agindo de forma em conjunta para beneficiar o seu "dono".

[]'s

Erick Formaggio disse...

Von, obrigado pela visita e por participar do debate!
Creio que, independente do que acontecer, haverá sim uma descentralização. Como eu disse, os sites não irão morrer no sentido real da palavra. O futuro nos dirá!

abs!

Eduardo Cardoso disse...

Meu nome é Eduardo Cardoso e sou Diretor de Mídia e Planejamento da Pointillé Comunicação, agência do Rio de Janeiro.

Esse artigo do Erick cataliza esse sentimento que está tomando todo mundo que lida com projetos de comunicação online.

Hoje é preciso pensar a arquitetura para além das páginas de um determinado domínio, levando as marcas para onde estão de fato os consumidores.

Acho que a idéia de um site como centro de uma estratégia online pode ser verdadeiro para muitas marcas mas, com certeza, deixará de ser um modelo que aplicamos em todos os casos.

Acho que essa idéia de haver um centro é herança de um mundo analógico, onde a comunicação só tinha um sentido, dos meios para as massas.

O mundo em rede que temos hoje, por definição, é diferente. Não há mais esse centro, há apenas a rede, com a sua própria lógica e arquitetura descentralizada.

Neste novo ambiente, nós, profissionais de comunicação, temos que entender que esse centro será sempre móvel e por isso mesmo será necessário criar uma imagem única dos produtos e serviços oferecidos em cada um desses pontos de interação.

Se há uma definição que podemos tirar de tudo isso, acho que o centro é a marca e a experiência do consumidor é o nosso universo de atuação, o que nos leva ao mesmo ponto que os teóricos de marketing chegaram há muito tempo. Será que temos alguma novidade nisso?

Erick Formaggio disse...

Oi Eduardo, tudo bem?
Bacana teus comentários. Obrigado por contribuir!
Sobre tua pergunta final: creio que para muita gente é novidade sim. Pude perceber isso ao longo do tempo, muitas empresas ainda não conseguem ir além das máquinas em alguns sentidos. Mas isso está diminuindo progressivamente.

Mais uma vez, obrigado pela contribuição.
abs