20 de novembro de 2011

Quanto vale o seu cliente?

Nas últimas semanas venho passando por um problema que coloca em evidência o quanto os sites de e-commerce no Brasil ainda carecem de orientação quanto a sua operação e a forma de tratar seus clientes. Meu depoimento aqui não é um simples desabafo de um consumidor frustrado, mas de uma realidade triste que colabora para que nós fiquemos ainda muito atrás de outros países quando se trata de comércio virtual, logística, atendimento, processos, etc.

Não vou citar o nome da respectiva empresa já que o blog tem caráter educacional/informacional e vou negritar cada um dos erros cometidos pela empresa para comentá-los no final.

Resumindo o acontecido, comprei um produto pelo site de uma empresa cujo prazo de entrega era de dois dias úteis. Esse produto foi entregue dentro do prazo, contudo, veio o produto errado: cor e modelo totalmente diferente do produto que eu comprei. Erros acontecem, mas não se tratava, por exemplo, de um pacote que foi enviado errado, pois meu nome estava como o destinatário do pacote. O que me surpreendeu é que se tratava de um produto totalmente diferente do que eu comprei.

Atendimento

Ao entrar no site para resolver o problema, ele não disponibiliza um número 0800, ou seja, o único telefone que há para que eu possa resolver meu problema seria necessário pagar um interurbano para resolver um problema que eles mesmos criaram.

Entrei no chat de atendimento. Chats de atendimento não são nada diferentes de ligações que você pode fazer para 0800, apenas mais irritantes. Para ajudar, a atendente, como sempre, escrevia apenas aquelas mensagens genéricas, que não me ajudavam a resolver o problema. Primeiro porque, quando fiz o login no chat, deixei meus dados de cliente e o número do pedido, mas a atendente solicitou os mesmos dados novamente, creio eu que para ganhar tempo, pois se sabe também que eles não atendem somente uma pessoa por vez no chat.

Depois de explicar o problema e expressar minha frustração para com o erro que cometeram, me foi respondida mais uma mensagem de “control c control v”, onde dizia que o prazo para avaliação da troca era de sete dias. Além do tempo de coleta, já que o correio teria que vir ao local original de entrega pegar o produto para levar de volta. O que acontece é que os correios estavam demorando para para fazer a coleta do produto e só depois que entrei em contato com a empresa é que eles verificaram que os correios não tinham realmente feito a coleta. A empresa deveria, no mínimo, ter entrado em contato comigo para conferir se a coleta havia sido feita, já que o erro foi deles, não?

Processos idiotas = clientes insatisfeitos

Não envolva o cliente com a burocracia do seu processo, pois ele não se importa com isso. Ele quer simplesmente cumprir uma tarefa de consumo, simples assim. Quando você engessa a solução de um problema para o cliente, o problema parece ser maior do que realmente é.

O que acontece é que se o usuário compra um produto cujo o prazo de entrega é de dois dias, provavelmente esse seja um dos diferenciais frente à concorrência. Sendo assim, eu não quero que demore mais de uma semana para a troca do produto, que acontecerá em razão de um erro dessa empresa. Contudo, a pessoa que me atendeu no chat disse que se trata do sistema deles, eles não poderiam me mandar o produto sem que o outro estivesse lá e fosse avaliado. Agora fica a pergunta: o que será avaliado??

Em um momento da conversa perguntei se não poderiam mandar o produto correto enquanto o errado estivesse em trajeto de retorno. A moça do chat respondeu que não, porque o sistema dela não liberava. O que eu tenho a ver com o sistema da empresa?

Gestão de crise

Há várias reclamações sobre a empresa no site Reclame Aqui. Percebi que na maioria das reclamações, os clientes entraram em contato com a empresa antes de procurar outras fontes para expressar suas frustrações. Contudo a empresa esperou o problema chegar ao público para tentar resolver ou priorizar a situação, como é possível ver nas respostas da empresa.

E isso é um absurdo. Se eu sou gestor em uma empresa e o cliente entra em contato relatando um problema tentarei resolvê-lo antes que este se torne público e assim afete a imagem da minha empresa.

Comentanto os erros do processo

“Ao entrar no site para resolver o problema, ele não disponibiliza um número 0800” – é comum para os usuários entrarem nos websites das empresas para procurar telefones para resolução de problemas. Nos maiores varejistas do Brasil, telefones como esses de centrais de atendimento, são comuns;

“...atendente, como sempre, escrevia apenas aquelas mensagens genéricas” – trata-se de algo que irrita o usuário e lhe dá a sensação de que o problema não vai ser resolvido. Por que? Provavelmente ele já teve experiências anteriores com outras empresas onde foi atendido com as mesmas mensagens genéricas e com discursos genéricos, vazios e sem relevância, lembrando sempre que havia um prazo absurdo para que resolvessem o problema;

“A empresa deveria, no mínimo, ter entrado em contato comigo para conferir se a coleta havia sido feita” - essa falta de cuidado perante um erro faz o cliente ter a sensação de descaso. Problemas existem, dentro e fora das empresas, contudo, não assumir o problema e não dar a devida atenção para corrigir um erro que você cometeu torna toda a experiência mais frustrante ainda;

“Não envolva o cliente com a burocracia do seu processo, pois ele não se importa com isso” – e não se importa mesmo. A empresa não mede esforços para vender o produto ou serviço, deveria utilizar essa mesma força para resolver o problema do cliente. Justificativas como: “nosso processo exige que primeiro...”, “nosso sistema não permite...”, fazem parte de processos engessados que colaboram ainda mais para minar a confiança do cliente na empresa; e

“…na maioria das reclamações, os clientes entraram em contato com a empresa antes de procurar outras fontes para expressar suas frustrações” – o que acontece é que as pessoas começam a procurar meios alternativos para reclamar, desabafar sobre o problema, e esses meios, na maioria das vezes, são sites de redes sociais. Se o cliente te procura para fazer alguma reclamação, isso é praticamente um controle de qualidade que você recebe de graça. Resolva o problema, não crie outros problemas.

Conclusão

A verdade é que, na maioria das vezes, empresas com esse perfil de atendimento, não se importam com as reclamações dos seus clientes como deveriam, pois não afetam diretamente, no curto prazo, suas receitas. O resultado disso, no longo prazo, é a visão de uma empresa indigna da confiança do cliente, e consequentemente, a perda de receita, afinal quanto mais se espalha a notícia mais verdade ela se torna para o consumidor.

Então as perguntas que ficam é: qual o preço do seu cliente? Ele vale muito? Se você perder um cliente, ele poderá fazer você perder outros? Se a resposta para cada uma dessas perguntas for sim, então:

  1. Não seja indiferente aos problemas que acontecem na sua empresa, por menores que sejam, podem prejudicar sua vantagem estratégica no longo prazo; 
  2. O cliente lembra da experiência, não do produto que comprou. Se a experiência é ruim, ele não compra mais na sua empresa; 
  3. Tenha interesse em resolver os problemas do seu cliente, ligue, pergunte sua opinião em relação a resolução de um determinado problema; 
  4. Não exponha a política de seus processos engessados ao cliente. Ao invés disso, gere alternativas e seja flexível; e 
  5. Pense em uma gestão de crise que procure administrá-la antes que os problemas cheguem às redes sociais, pois em tempos de convergência midiática, o menor problema pode se tornar uma avalanche.

13 de novembro de 2011

A orientação do conteúdo

A web, em sua infinidade de informação, proporciona uma variedade de possibilidades e facilidades, de modo que algumas se tornaram convenções entre usuários, desenvolvedores e projetistas de websites.

Tratando-se de conteúdo web, podemos trabalhar com algumas disposições de conteúdo: orientados à transação; orientados à informação; conteúdo gerado pelo usuário; conteúdo orientado à promoção; e conteúdo orientado à navegação. Cabe comentar que essas orientações de conteúdo podem convergir em uma única página, contudo, algumas usufruem mais de uma orientação do que outra. São os modelos mais comuns identificados e que serão explanados ao longo deste artigo.

Conteúdo orientado à transação

Esse tipo de conteúdo tem como objetivo dar suporte a uma ação transacional, ou seja, aquela ação que envolve uma transação, que pode ser a compra de um produto, um download, um upload, o preenchimento de um formulário, etc. Dessa forma, é possível entender que se trata de um conteúdo que precisa ser objetivo, direcionado a uma determinada tarefa. Um exemplo que pode ser utilizado é o de uma página de e-commerce onde são apresentadas informações como: imagens de um produto, preço, formas de pagamento, descrição técnica do produto, entre outras que, em conjunto, são consideradas participantes de um conteúdo orientado à transação.

Esse é o tipo de conteúdo mais comum que se espera encontrar para apoiar uma ação direcionada a uma transação para um processo de compra em um site de e-commerce, por exemplo. Nesse ponto é importante comentar que um dos grandes problemas do conteúdo web nos dias de hoje é a duplicação de conteúdo e nesse ponto as descrições de produtos sofrem muito com isso, pois, na maioria das vezes, as equipes editoriais (quando existem) replicam as descrições que recebem dos fornecedores dos produtos.

Isso é um veneno para a qualidade daquilo que se apresenta. Não que os conteúdos vindos dos fornecedores não tenham boa qualidade, mas que eles não se tornarão para o cliente uma fonte de referencia ou autoridade perante dúvidas sobre aquele produto, por exemplo. E acredite, está cada vez mais comum usuários tirarem dúvidas referentes aos produtos que querem comprar nas páginas desses produtos na internet, pois é normal que hoje esses conteúdos estejam dispostos ali. Em alguns casos há o agravante desses conteúdos chegarem às equipes editoriais em outras línguas, às vezes com problemas ortográficos, etc. Replicar simplesmente esses conteúdos nas páginas de produtos ou categorias pode soar ao usuário como falta de capricho ou simplesmente algo estranho. Isso consequentemente pode acabar com as chances de que a conversão seja realizada.

Não quero dizer que os conteúdos que vêm do fornecedor não são úteis. Pelo contrário, são extremamente úteis, contudo, servem como um caminho para a personalização e adaptação à necessidade de seus usuários.

É possível identificar diversos tipos de comportamento relacionados à compra online. Primeiramente, a compra por impulso, ou seja, aquela onde é gerada uma necessidade que pode ter sido iniciada em outra mídia que não seja a Internet, onde o usuário está decidido a comprar determinado produto sem que, para isso, seja realizada uma pesquisa antecipada. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando um usuário visualiza um banner promocional com alguma chamada incluindo um caráter de urgência como: “últimas unidades!”, “promoção irá durar somente 2 dias!”. De modo geral, um site voltado a um conteúdo de orientação transacional (um e-commerce) precisa oferecer um ambiente confortável ao usuário para que este, por sua vez, sinta-se seguro ao realizar uma compra. Esse conforto remete a um estado de espírito onde o usuário não terá de se preocupar com a credibilidade do website.

A credibilidade do site está sendo avaliada a todo momento, através do desempenho que este oferece no momento de navegação. Por isso é importante que a navegação seja adequada, que os aspectos informacionais estejam de acordo com os dados necessários que o cliente precisa para avaliar o produto e sua necessidade.

Características: as informações sobre produtos, preços, condições de pagamento, são simples e rápidas, precisam resolver o problema do futuro cliente. Em sites de e-commerce é o conteúdo mais presente.

Erros comuns: falta de informações técnicas e especificações que podem interferir na utilização do produto, duplicação do conteúdo oferecido pelo fornecedor que naturalmente será igual aos dos concorrentes.

Conteúdo orientado à informação

O conteúdo orientado à informação tem como único objetivo fornecer informação sobre determinado tema. Sites como os de notícias, blogs e direcionados a determinados mercados são conhecidos como provedores de informação. Esses sites têm uma característica comum, além da geração de informação, que é a de “provocar” naturalmente o conteúdo gerado pelo usuário.

PDFs, imagens, infográficos, são também exemplos de conteúdos que têm como objetivo informar. Devido ao poder de abrangência da web e dos avanços tecnológicos, é cada vez mais comum encontrar conteúdos através desses formatos, que são úteis não somente para visualização do usuário perante determinada informação, como também facilitam a sua distribuição através de outros canais, como emails, CDs, impressa, entre outras:
  • Um PDF pode ser baixado por um usuário, enviado por e-mail para alguém que pode querer imprimi-lo para não ter que ler em um computador;
  • Uma imagem que explana um importante conceito no ramo de engenharia pode ser incorporada em blogs de estudantes de engenharia, para comentar sobre o assunto e para que a imagem sirva de referência;
  • Infográficos disponíveis em um site podem servir de imagens para explanação de conceitos através de uma apresentação de slides.
Como é possível perceber, conteúdos com características informacionais são ótimos não somente como referência a algum tipo de informação, mas também pelo seu poder de abrangência no ambiente web e fora dele também.

Características: como são direcionados para necessidades informacionais, podem facilmente ser copiados e distribuidos de modo simples e direto, no caso de imagens e infográficos, principalmente.

Erros comuns: inserção de imagens que não possuem aspectos informacionais úteis ao usuário, imagens de baixa qualidade e que não mostram detalhes. Informações simplistas ou genéricas. 

Conteúdo gerado pelo usuário

Conteúdo gerado por usuários em alguns casos pode convergir com conteúdos orientados à informação e à transação. Em um e-commerce, por exemplo, será apresentado conteúdo orientado à transação, com informações relacionadas a um produto. No entanto, é possível encontrar alguns sites desse tipo com conteúdo gerado pelo usuário, com possíveis opiniões sobre o produto. Trata-se então da utilização do potencial da colaboração, que através da inteligência coletiva (LEVY, 2003), que trabalha a favor da participação em prol de um determinado fim.

No caso de comentários em páginas de produtos, o fim mais específico é dar ao usuário que está realizando a pesquisa informações oriundas de outros consumidores que já adquiriram o produto. Quem nunca ficou insatisfeito com um produto ou serviço? Quem nunca ficou com vontade de reclamar para os quatro cantos? A diferença é que, ao contrário de alguns anos atrás quando era mais difícil reclamar, hoje é possível reclamar de produtos ou serviços e atingir mais pessoas. O consumidor tinha poucas opções como o seu circulo social mais próximo (pais, esposa, amigos) e entidades como o PROCON.

Com a popularização dos sites de redes sociais e do botão "comente" hoje é muito mais fácil para o consumidor desabafar através das redes sociais na internet. E isso acontece muito. Quem nunca deixou de comprar um produto em uma empresa ou ficou no mínimo desconfiado ao ouvir (no mundo físico) um comentário negativo sobre uma marca. Isso também pode acontecer na internet, justamente onde o alcance dos comentários é muito maior. Há também quem fale bem de suas experiências de consumo, contudo, não de uma forma tão abrangente quanto quem reclama. A questão é que o impulso de reclamar é muito maior do que o de elogiar. Isso é do ser humano, até porque, para o consumidor, uma experiência positiva não é algo extraordinário, e sim uma obrigação das empresas, o que não está errado. De qualquer forma, isso não quer dizer que a empresa não possa incentivar quem teve uma boa experiência no site a contar essa experiência para outras pessoas. No entanto, isso é pouco aproveitado.

Características: acaba por evidenciar o quão bom ou ruim é um produto. Geralmente no comentário de usuários pode-se entender o quanto o produto ou serviço está atendendo as espectativas.

Erros comuns: não criar uma relação com quem comenta, bem como ignorar seus comentários.

Conteúdo orientado à promoção

O conteúdo promocional está relacionado àquelas propagandas utilizadas para atrair a atenção do usuário para um determinado produto ou serviço. Esse tipo de conteúdo possui algumas características como: urgência na chamada para ação – frases que atraem através de uma chamada para uma ação específica, relacionada às facilidades e limitações de uma promoção, por exemplo, e imagens de produtos junto a preços e formas de pagamento, palavras de impacto que chamam a atenção do usuário. Esse conteúdo é utilizado como forma de atrair o usuário para algum tipo de ação que terá como fim uma respectiva transação.

Características: geralmente é o conteúdo de banners e outras peças de publicidade na web.  Converge com outros conteúdos para complementar ações esperadas por parte do usuário.


Erros comuns: às vezes é dada tanta ênfase para a promoção e adjetivos inúteis para a informação do usuário que detalhes importantes como formas de pagamento, preços e descontos não são consideradas na peça.

Conteúdo orientado à navegação

Esse tipo de conteúdo é determinante para que o usuário possa atingir outros conteúdos. Imagine um website que possui links quebrados. Esses links, muitas vezes, além de impedirem a progressão do processo de encontrabilidade, fazem com que o usuário perca o interesse no site.

Segundo Ash (2008, p.118) a navegação do site deve:
  • Ser fácil de entender e assim agrupados em unidades lógicas. Links de uma determinada categoria devem ser agrupados em um mesmo módulo de modo que o usuário possa entender que ali encontrará os links também das demais categorias
  • Ser visível aos olhos do usuário. Muitos usuários despendem tempo procurando itens vitais para sua navegação, como interfaces de busca, por exemplo, que ficam escondidas e dificultam a navegação; 
  • Dar suporte à tarefa do visitante; 
  • Ser consistente; 
  • Usar textos-âncora e etiquetas de botões adequadas ao objetivo da próxima página
  • Promover o contexto de modo que o visitante saiba onde se encontra dentro do site; 
  • Ser tolerante com erros, o que significa permitir que os usuários possam reverter ações, e orientá-los a como recuperar-se dos erros. 
Botões, links, migalhas de pão e resultados de uma interface de busca são bons exemplos de conteúdos orientados à navegação.

Características: é o conteúdo que guia o usuário pelas páginas do website disponibilizando portas para que ele possa transitar livremente.


Erros comuns: presente em qualquer tipo de site os erros mais comuns ainda são de links quebrados, textos âncoras que não ajudam ao usuário entender qual o tema da página seguinte.

Conclusão

É possível concluir que ao saber identificar e trabalhar os diversos tipos de conteúdos que podem existir em um site pode-se assim torná-lo relevante perante o usuário e, consequentemente, obter vantagem competitiva frente aos concorrentes.

Referências

ASH, Tim. “Otimização da Página de Entrada: O guia definitivo sobre testar e sintonizar para conversões”. Rio de Janeiro: AltaBooks, 2008.
FORMAGGIO, Erick. “SEO – Otimização de Sites – Aplicando técnicas de otimização de sites com uma abordagem prática”. Rio de Janeiro: Brasport, 2010.
LEVY, Pierre. A inteligência coletiva – Por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 2003.